GDCI Projects, News March 10, 2020

Calçada Viva: Recuperando espaço para pedestres no Centro de Fortaleza

[Read in English]

A cidade de Fortaleza deu um novo passo para se tornar mais segura e caminhável. A intervenção realizada na Rua Barão do Rio Branco, uma das mais movimentadas da área central da cidade, integra o programa Calçada Viva e faz parte de uma estratégia abrangente de promoção da segurança viária liderada pelo governo municipal.

Os índices de atropelamento no Centro são 70% mais altos que no restante da cidade, o que torna fundamental a priorização da segurança de quem anda a pé na região Apesar dos recentes avanços, em 2018, ainda foram registradas 91 mortes de pedestres na capital cearense. A qualidade e o dimensionamento das calçadas – frequentemente estreitas, obstruídas, irregulares ou inacessíveis – estão entre os fatores que intensificam o risco de acidentes, afinal, grande parte dos pedestres opta por circular no asfalto, em meio aos veículos.

No caso da Barão do Rio Branco, antes da implementação do projeto, o número de pessoas que caminhava entre os carros era de aproximadamente 200 por hora. Não à toa: 67% do espaço público era destinado aos veículos motorizados – apesar de motoristas e motociclistas representarem menos de 25% dos usuários da rua. Já aos pedestres, 75% dos usuários, restava lutar pelo espaço restante.

Buscando corrigir essas disparidades, a Prefeitura iniciou um processo de redesenho da Rua Barão do Rio Branco, recuperando uma das faixas de tráfego e transformando-a em uma ampliação da calçada. Com a ação temporária, aqueles que antes evitavam os passeios lotados passaram a contar com um espaço acessível de circulação.

Utilizando materiais de baixo custo e rápida implementação como: tinta, bancos, balizadores e floreiras, a intervenção transitória permite que o projeto seja testado e avaliado. Com o apoio técnico da NACTO-GDCI, através da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global, a equipe da Prefeitura desenvolveu uma metodologia de coleta de dados em campo, antes e depois das ações, que gera indicadores de desempenho com foco em todos os usuários da via, não apenas na fluidez do trânsito. Tal estudo permite aprimorar o projeto definitivo.

O estreitamento das faixas de tráfego, o redesenho de cruzamentos e a implantação de novas faixas de pedestres contribuem para a redução de velocidade e, consequentemente, do risco de acidentes. Os dados das pesquisas indicam que quantidade de carros e motos trafegando acima de 30 km/h e 40 km/h caiu 65% e 84%, respectivamente, e o número de pedestres caminhando entre os veículos diminuiu 92%. Em uma das novas faixas de travessia elevadas, cerca de mil pedestres/hora passaram a atravessar a rua em segurança.

A intervenção garante condições de segurança e conforto a todos, mas beneficia principalmente os idosos, as crianças (cuja presença triplicou) e pessoas com deficiência. A entrega de mercadorias – feita muitas vezes com carrinhos de mão – também se tornou mais segura e organizada, trazendo mais eficiência para o comércio local.

Com o objetivo de regularizar e ordenar a atuação de vendedores ambulantes, a Prefeitura implantou quiosques padronizados em diversas ruas comerciais da área central. Na Barão do Rio Branco, vendedores que antes bloqueavam parte da calçada, passaram a contar com estruturas fixas, alinhadas aos postes já existentes e ao novo mobiliário urbano, permitindo faixas de circulação contínuas e sem obstáculos.

Não menos importante, uma das mudanças mais perceptíveis na Barão do Rio Branco foi o aumento no número de pessoas utilizando os novos bancos, comendo ao ar livre, conversando ou apenas passando o tempo: em outras palavras, utilizando a rua como um espaço público de permanência. Esperamos que esses resultados demonstrem que a priorização da caminhabilidade, da segurança e da sociabilização ajudarão a salvar vidas no trânsito, ao mesmo tempo que estabelecem precedentes para ruas mais eficientes, sustentáveis e vivas em Fortaleza. 

Clique na imagem acima para iniciar vídeo timelapse.

 

——————–

Essa colaboração entre a Global Designing Cities Initiative da NACTO com a Prefeitura de Fortaleza foi possibilitada graças ao apoio da Bloomberg Philanthropies Initiative for Global Road Safety (BIGRS).

Escrito por Eduardo Pompeo e Majed Abdulsamad

Projeto gráfico de Kat Gowland

Traduzido por Eduardo Pompeo e Eduarda Aun

Para mais informações sobre este projeto, favor contatar eduardo@nacto.org 

——————–

LEIA MAIS SOBRE NOSSO TRABALHO EM FORTALEZA:

More Updates

My Way to School: Making kids’ journeys to school in Santiago, Chile, safer and more enjoyable

January 23, 2023

My Way to School: Making kids’ journeys to school in Santiago, Chile, safer and more enjoyable

In 2019, the GDCI team selected the capital city of Santiago, Chile, as a Streets for Kids Technical Assistance project. Together with Ciudad Emergente, a Chilean nonprofit, we selected Enrique Soro street as the project site. The project’s main objectives were to establish safe intersections, extend sidewalks, and reduce speeds.

Quito: A Cycling Success Story

December 14, 2022

Quito: A Cycling Success Story

The Global Designing Cities Initiative is committed to reimagining streets as places for people, shaping cities that are healthy, accessible, and equitable for everyone. We also recognize cycling as a safe, efficient, and sustainable mode of transportation. Despite the lack of safe cycling infrastructure that hinders many would-be cyclists around the world from relying on their bikes, there are a number of cities that have made significant progress in recent years. Committed to making its streets more cycle-friendly, Quito, Ecuador, has implemented large-scale, successful cycling infrastructure projects that make it a cycling success story.

Sixty leaders, twenty cities, one focus: How to make better streets for kids

December 1, 2022

Sixty leaders, twenty cities, one focus: How to make better streets for kids

GDCI’s first-ever Streets for Kids Leadership Accelerator welcomed 60 professionals from 20 cities around the world, all working at the intersection of children’s wellbeing and transportation. This competitively selected group came together for twelve online sessions over a six months period for an intensive course in street design best practices. Perhaps most importantly, this was a unique opportunity for them to share ideas, questions, and strategies with each other. Here’s a look back at what went into this program.